18.11.09

Outro decreto que será abordado na prova do concurso

Pra começo de conversa, este decreto federal é, como diria o José Simão, uma piada pronta: Institui o Código de Ética do Servidor Público e seu nº é 1.171 /94. (Pra quem não sabe, o Artigo 171 do Código Penal é o que fala sobre estelionato...)




Inicialmente temos, no Capítulo I, Seção 1, as Regras Deontológicas.
Mas que cazzo é isso de deontológico? Tem a ver com odontológico? Na dúvida, o Houaiss explica:

Deontológico é aquilo que é relativo a deontologia. Tá, isso eu já esperava que fosse, então... o que é deontologia?
Teoria moral criada pelo filósofo inglês Jeremy Bentham que, rejeitando a importância de qualquer apelo ao dever e à consciência, compreende na natureza humana de perseguir o prazer e fugir da dor o fundamento da ação eticamente correta.
Entendeu? Nem eu, mas em suma: É um código de ética, porra! Agora vem o "discurso", do mais empolado e ufanista impossível, e do qual destaco estas passagens ao melhor estilo "palanque da época da ditadura militar":


II - O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua conduta. Assim,
não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o conveniente e o inconveniente, o oportuno e o inoportuno, mas principalmente entre o honesto e o desonesto (Que moral, que MORAL!!)



VIII - Toda pessoa tem direito à verdade. O servidor não pode omiti-la ou falseá-la, ainda que
contrária aos interesses da própria pessoa interessada ou da Administração Pública. Nenhum Estado pode crescer ou estabilizar-se sobre o poder corruptivo do hábito do erro, da opressão ou da mentira, que sempre aniquilam até mesmo a dignidade humana quanto mais a de uma Nação. (Ooooh! Que enfático! Que afirmação mais dedo-em-riste!! )



IX - A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo dedicados ao serviço público caracterizam o esforço pela disciplina. Tratar mal uma pessoa que paga seus tributos direta ou indiretamente significa causar-lhe dano moral. Da mesma forma, causar dano a qualquer bem pertencente ao patrimônio público, deteriorando-o, por descuido ou má vontade, não constitui apenas uma ofensa ao equipamento e às instalações ou ao Estado, mas a todos os homens de boa vontade que dedicaram sua inteligência, seu tempo, suas esperanças e seus esforços para construí-los. (OooooOooh!!!)



XIII - 0 servidor que trabalha em harmonia com a estrutura organizacional, respeitando seus
colegas e cada concidadão, colabora e de todos pode receber colaboração, pois sua atividade pública é a grande oportunidade para o crescimento e o engrandecimento da Nação. (Este item deve ser lido em voz alta, com a mão direita sobre o peito e escutando o Hino Nacional num volume bem alto. Aí sim dá o maior clima)


Show de blablabla, né? E o principal do decreto, que vem depois dessa ladainha toda é tudo aquilo que é lindo e maravilhoso na teoria mas que nem sempre se aplica na prática. Ou quase nunca. Exemplos?


– O funcionário público deve ser ágil para evitar atrasos e formação de filas;
– O funcionário público deve ser cortês; (sejamos justos, vá; alguns até são)
– O funcionário público não deve aceitar propinas; (nem caixinha, nem lembrancinha, nem carro 0 km...)
– O funcionário público não pode fazer uso do cargo ou função para obter favorecimentos; (ou seja, a famosa "carteirada" comumente acompanhada do brado "Você sabe com quem está falando?" não é permitida, tampouco apadrinhar alguém, etc)
O funcionário público não pode permitir que perseguições, simpatias, antipatias, caprichos, paixões ou interesses de ordem pessoal interfiram no trato com o público, com os jurisdicionados administrativos ou com colegas hierarquicamente superiores ou inferiores; (sem comentários)
– O funcionário público não pode desviar servidor público para atendimento a interesse particular; (esta é – ou seria – para os "peixes grandes", né?)
– O funcionário público não pode retirar da repartição pública, sem estar legalmente autorizado, qualquer documento, livro ou bem pertencente ao patrimônio público; (Traduzindo: Não pode furtar!)



Pra encerrar, este item razoavelmente... polêmico:

É vedado ao servidor público apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele habitualmente (isso porque é um código de ética PROFISSIONAL. Quer dizer, happy-hour todos os dias... nem pensar)



Comentário pessoal: Este decreto assinado pelo topetudo Itamar Franco me parece praticamente desnecessário e mais, redundante, haja visto que a Lei nº8112 de 1990 (pré-existente à época, portanto) já definia, com precisão e sem devaneios moralistas, os deveres e proibições relativas ao funcionalismo público, grande parte – senão o todo – do que realmente é relevante neste decreto nº1.171 de 1994...

15.11.09

Revisão do Acordo Ortográfico

É, gente, eu havia me declarado um ferrenho opositor às modificações impostas pelo (argh) Acordo Ortográfico mas agora estou tendo que engolir suas regras, sob pena de perder alguns valiosos pontos em um concurso público (ou mais, talvez) caso insista em permanecer preso à norma antiga.

Assim resolvi escrever sobre o assunto e com isso atualizar blog e, de quebra, estudando a matéria. Vamos lá...



Fundamentado no Decreto Federal nº6.583 de 29 de setembro de 2008, logo de cara temos o seguinte no parágrafo único do Artigo 2º: "A implementação do Acordo obedecerá ao período de transição de 1o de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2012, durante o qual coexistirão a norma ortográfica atualmente em vigor e a nova norma estabelecida." Bateu a dúvida: Se ambas normas coexistirão (serão consideradas corretas, presumo) durante esse tempo, por que as novas – e tão somente estas – são exigidas nos concursos? E mais: Se estou certo nessa conclusão quer dizer que até o final de 2012 poderei continuar escrevendo à moda antiga que estarei certo. Certo? Não sei.

Dígrafos finais (ch, ph, th) quando mudos serão suprimidos. Ou seja, Joseph vira José. E Nazareth, Nazaré (à exceção da banda de rock escocesa, espero.) E Bach, o compositor erudito, se tornará "Bá"? Johann Sebastian Bá??? Bah! >:P

Desumano é tudo junto e sobre-humano é separado. Hmm... é, "des-humano" não poderia ser, muito menos "deshumano", mas por que não "sobreumano"? Vixe, que estranho. É, fica mesmo desumano assim...

IV,1,C: "O c, com valor de oclusiva velar, conserva-se ou elimina-se, facultativamente, quando se profere numa pronúncia culta, quer geral, quer restritamente, ou então quando oscila entre a prolação e o emudecimento". Traduzindo: Dicção pode ser dição. E recepção pode ser receção. (é o que está no texto do decreto, juro!) No país da recessão agora teremos também receções? Valha-me Deus!

V,2,E: "Existem verbos em –iar, ligados a substantivos com as terminações átonas (ia , io), que admitem variantes na conjugação: negoceio ou negocio (cf. negócio); premeio ou premio (cf. prémio/prêmio); etc." Hein? Eu negoceio? Eu premeio?? :p

V,2,G: "Os verbos em –oar distinguem-se praticamente dos verbos em –uar pela sua conjugação nas formas rizotônicas, que têm sempre o na sílaba acentuada (e que não é mais acentuada, parêntese meu): abençoo, destoo, etc."(assim como nas paroxítonas como enjoo, voo, conforme IX,8)

VIII,1,A: Puré ou purê? Ambas! Bebê ou bebé? Ambas! Corretas!! Pode? Poooode.

IX,3: )"Não se acentuam graficamente os ditongos representados por ei e oi da sílaba tônica das palavras paroxítonas, dado que existe oscilação em muitos casos entre o fechamento e a abertura na sua articulação." Traduzindo: Ideia, assembleia, proteico, heroico, paranoico... Paranoico fico eu, com este item do Acordo, bah!!
E "apoio" perdeu acento, tanto na conjugação verbal "ex: Eu não apoio este maldito Acordo", quanto no substantivo. Ahn... no substantivo acho que nunca teve mesmo, né.

IX,5,C: Permanece a diferenciação: "Ele tem, eles têm". Viva!!

IX,7: "Prescinde-se de acento circunflexo nas formas verbais paroxítonas que contêm um e tônico oral fechado em hiato com a terminação –em da 3ª pessoa do plural do presente do indicativo ou do conjuntivo, conforme os casos: creem, deem (conj.), descreem, desdeem (conj.), leem, preveem, redeem (conj.), releem, reveem, veem." Tsc!

IX,9: "Prescinde-se, quer do acento agudo, quer do circunflexo, para distinguir palavras paroxítonas que, tendo respectivamente vogal tônica aberta ou fechada, são homógrafas de palavras proclíticas". Traduzindo: "Você não pára para mais, você simplesmente para. E para que você quer parar? Para com isso, meu!" Simples assim. E teus pelos também não têm mais acento. Pelos pelos do Tony Ramos! Sim, é verdade... e tem mais: agora é polo. Norte ou sul, é polo. Visionária foi a Volkswagen, ao criar o Polo.

XIV: É a extrema-unção do trema. De agora em diante ele só serve para ser usado em nomes próprios e-olha-lá e também para fazer emoticons "otaku" como este: ¬¬¨

XV,4e5: Bem-me-quer, mal-me-quer... arranque-lhe as pétalas mas não o hífen. Estando bem ou mal-humorado. Assim como o sem-vergonha, que perde tudo, menos o hífen... também.

XVI, 1,B: Micro-ondas, assim como pseudo-objeto, estão unidos pelo hífen. Não sei se já era assim antes, mas... eu não sabia. (Mas sei que "pseudoblog" era e continuará sendo tudo junto, hoho hoo)

XVI,1,C: Pan-americano é separado. Tudo junto, só a financeira do Silvio Santos.

XVI,2,A: "Não existe hífen nas formações em que o prefixo ou falso prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s, devendo estas consoantes duplicar-se". Ou seja, se a Geisy não estivesse vestindo um minivestido (tudo junto) e sim uma minissaia, esta estaria, inevitavelmente, com dois "s". Seguem a mesma regra o contraRRegra e a contraSSenha. Estranho, mas é. :/

XVI,2,B: "Também não tem hífen as formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por vogal diferente, como em extraescolar, autoestrada, hidroelétrica". Mesmo que esta seja a Itaipu com seus apagões, ainda é hidroelétrica!

XIX,1,D: Fulano, ciclano e beltrano, coitados, além de condenados ao eterno anonimato, sequer têm direito à inicial maiúscula. (Meu fulano só ganhou a maiúscula por estar no começo da frase, veja só.)



E estes foram os pontos que mais me... hã, incomodaram nesta porr... porcaria de Acordo – do qual não estou de acordo mas enfim...

:/

27.10.09

Ônibus em SP

Um detalhe que achei diferente, curioso nos ônibus daqui é a plaqueta informando o número da linha... fixada na traseira do veículo. Nunca tinha visto isso; em minha passagem anterior por esta minha terra natal – há um ano – ainda não havia, e em Pernambuco não há, jamais houve.

A princípio ironizei, imaginando sua utilidade: quando você chegasse atrasado no ponto (ou parada, para os de PE) de ônibus poderia ter a certeza de que aquele que havia acabado de passar era o seu...

Mas pensando bem, a coisa é útil sim. Não sei se a implantaram com o propósito que deduzi depois, mas é o seguinte: reduzir os atrasos durante o percurso. Explicando com um exemplo: Quem nunca viu um passageiro vir correndo por trás, batendo na lateral do ônibus implorando para que este o espere e, ao chegar à porta, perguntar de que linha seria? E muitas vezes aquele não era seu ônibus. Mas o cidadão faz isso preventivamente. Ou, de forma mais realista, apostando na sorte: "Vai que é? Vou segurá-lo"

Multiplique-se essa atitude por vários pontos de ônibus e teremos um considerável aumento na demora em concluir o percurso. Deve ter sido para evitar isso que criaram a identificação traseira, não?

E outro detalhe: existem diversos tipos de carros, com duas, três e até quatro portas. Curiosamente alguns não têm a porta de saída na extremidade traseira, têm no meio. Isso, claro, sem contar o articulado, que minha sobrinha chamou de "sanfonado". Bem, não deixa de sê-lo.

Falando em articulado, não seria nada mal se a Borborema colocasse alguns, pelo menos nos horários de pico, na linha 020 Candeias-Dois Irmãos. Ai, ai, minhas férias estão acabando e logo, logo estarei novamente às voltas com aquela "lata de sardinhas humanas"...

21.10.09

Andando pela minha autêntica terra

Hoje foi dia de ir ao centro da cidade, no Poupatempo da Sé, (equivalente do Expresso Cidadão dos pernambucanos) fazer a 2ª via do meu RG. Motivo: estraguei o documento esquecendo-o dentro de um dos bolsos de uma calça e mandando tudo pra dentro da máquina de lavar roupa. Uma lavagem apenas não seria capaz de danificar aquela coisa plastificada, mas outra lavagem, e outra, e outras... e meu retrato ali ficou parecendo uma pintura abstrata, mas não de abstracionistas interessantes como o Kandinsky ou Mondrian, mas uma nhaca como aquelas porcarias do Manabu Mabe... (veja o link e me diga se não se parece com aquelas pinturas que o chimpanzé da novela pinta)

Talvez seja pelo fato de eu ter ido à cidade fora dos horários de pico, mas achei-a extremamente funcional: Pouco tempo aguardando o ônibus, assim como o metrô; farta sinalização e, a despeito de todas as notícias ruins que propalam a respeito da segurança pública, durante todo o meu percurso, sobre rodas, trilhos ou a pé, avistei a polícia presente. Bom sinal.

Apesar do mundaréu de gente que estava lá no Poupatempo – aliás, é gente pra tudo quanto é lado, ô formigueiro humano que é São Pauloooo – o processo transcorreu tranqüilamente, sem grandes percalços senão o fato que meu cartão do Unibanco não foi aceito no posto bancário – porque o do Itaú já não era aceito e como o Unibanco foi engolido pelo Itaú... fiquei sabendo depois – e por conta disso tive que cruzar toda a praça da Sé e ir sacar o dinheiro numa agência do Itaú localizada na rua Direita, famoso endereço paulistano. (bela foto)

Amanhã à tarde o novo documento estará pronto. Cabia aqui mais uma "historinha" mas fiquei com preguiça de contá-la por inteiro, vai resumida mesmo: Como lá em Recife minha carteira de identidade era recusada por eu estar irreconhecível na foto, fiz uma 2ª via lá. Só que eu não sabia: com um número de RG diferente da que eu tinha! Se você não sabia, fique sabendo: É possível, sim, ter uma carteira de identidade em cada estado da nação, caso queira. E cada uma delas com um número distinto. Coisas da atual legislação...

ICQ

Originalmente criado por israelenses e cuja alcunha (ou sigla, sei lá) vinha da expressão "I seek you" ("eu procuro você", em inglês), o ICQ foi o principal comunicador de mensagens instantâneas até a chegada e o posterior domínio do Messenger, hoje mais conhecido como MSN.

Fui dessa época. Fui dos que, quando os modens mal passavam dos 14.400bps , ficava fazendo figa pra conexão não cair e a florzinha vermelha ficar verde. Daí era só alegria: Janelinhas "pipocando" na minha telinha monocromática de 14" e aqueles "oh ouh! ...oh, ouh!" tocando incessantemente.

Namorei muito via ICQ. Também discuti. Também devo ter feito coisas menos publicáveis mas deixemos esse episódio obscuro do meu passado... no passado. Grande ICQ!

Grande e esquecido. Sequer me lembrava mais de sua existência – haja visto que atualmente sou usuário costumeiro do filhote da Microsoft – e hoje voltei a recordá-lo por um acaso: A citação do co-fundador do Twitter que o site será sempre gratuito.  Talvez alguém se lembre: rodava muito pela internet um e-mail alertando que o ICQ – que à época era gratuito – passaria a ser pago.

Quem viveu, viu: O ICQ nunca passou a ser cobrado. E agora essa afirmação do Biz Stone (o do Twitter)...

Mas o que importa, pra mim, é que só por curiosidade fui ao site do ICQ e tentei acessar com meu antigo login. Achava que, ante tantos anos sem uso ele já não existisse mais, tivesse sido cancelado. E não é que, para a minha surpresa, o danadinho ainda está ativo?

Agora só fico a pensar... se alguém, durante estes anos todos, me adicionou e ficou esperando eu surgir online lá... ou nem se lembra mais de quem sou, ou merece o troféu "A esperança é a última que morre".



Em todo caso, ficará a situação como está. Meu nºICQ existe. Mas se alguém espera que eu apareça lá, desista. Ou espere sentado. Melhor: dormindo.

:p